segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Crítica: Brave (2012)



FICHA TÉCNICA

Título Nacional:
Brave - Indomável
País Origem: EUA
Género: Animação
Duração: 100 minutos








"Desde os tempos ancestrais, histórias de batalhas épicas e lendas míticas passaram de geração em geração nas montanhosas e misteriosas Terras Altas da Escócia." A feitiçaria, o recurso a sacrifícios humanos e a adoração a varias divindades eram características marcantes da religião existente nesta nação, essencialmente influenciada pelo paganismo germânico e a mitologia grega que chegaram através dos celtas. O povo celta, cujos mitos e bravura em batalha são lendários, acreditavam em espíritos existentes em objectos naturais como as árvores e as pedras. Brave transporta o espectador até à antiga Escócia onde acompanhamos Merida, uma jovem princesa que decide enfrentar a tradição e desafia o destino para tentar mudar o rumo da sua vida.


Pela primeira vez a Pixar aposta numa protagonista feminina, apresentando uma história mais convencional e mais próxima dos contos de fadas que a Disney já nos habituou. Apesar disso, Merida foge do estereotipo de princesa delicada. Embora esteja destinada a suceder à sua mãe, revela-se uma adolescente impulsiva e aventureira que tem dificuldade em aceitar tamanha responsabilidade, desafiando as regras impostas pelos seus pais. O conflito gerado entre Merida e os pais marca uma das temáticas principais do filme, sendo a relação com a sua mãe a mais problemática. A falta de entendimento entre mãe e filha deve-se aos valores tradicionais relativos ao casamento e obrigação social que a rainha quer imbuir na educação da sua filha, numa época em que a mulher não escolhia com quem casava e devia aprender os seus deveres sociais. Merida identifica-se mais com o pai e não não entende as coisas da mesma forma que a mãe, querendo para si outro tipo de vida. O resultado deste conflito irá culminar num terrível acontecimento, envolto de um enorme misticismo, que mudará para sempre a vida das duas. Pelo meio são introduzidas várias lendas folclóricas características da cultura e tradições medievais escocesas.


A narrativa perde demasiado tempo a introduzir a história e as personagens, estabelecendo a presença de alguns elementos que nunca chegam a ser explorados. Depois disso segue uma narrativa bastante linear, acabando por desenrolar-se demasiado depressa quando era de esperar algo mais coerente. Mesmo quando a história se foca na ligação entre a mãe e a filha ou a possível perda da mãe, seria de esperar mais emoção, mas isso perde-se na forma como os acontecimentos são apresentados e faz com que o espectador não sinta grande empatia pelas personagens.

Visualmente, Brave está excelente. Sem duvida a animação é o ponto mais forte e surpreendente do filme. Os belíssimos e pormenorizados cenários sobressaem ao longo de todo o filme, conseguindo captar a essência das misteriosas terras altas da Escócia. O excelente trabalho de animação estende-se até às personagens, que estão igualmente fenomenais e onde se destaca o cabelo e as expressões de Merida.

A nível de som, apesar de se notar uma influencia característica da época, não posso dizer que haja alguma musica memorável presente na banda sonora. 


Apesar de não estar ao mesmo nível de outros de outros títulos da Pixar, Brave não deixa de ser um filme divertido e agradável de ver. Para alem da história e animação, tenta passar alguns valores familiares e morais, levando-nos a reflectir um pouco sobre as nossas decisões e consequências dos nossos actos. 

Uma ultima nota, para dizer que durante o filme não pude deixar de reparar varias semelhanças em relação a outros filmes, principalmente com a história do filme Kenai e Koda (2003) ou o design da bruxa de A Viagem de Chihiro (2001).


O Melhor: A animação, nomeadamente os detalhes dos cenários e da personagem Merida

O Pior: O desenrolar da narrativa


Nota: 6.0/10

Crítica por Gonçalo Jorge
 

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