terça-feira, 20 de novembro de 2012

Crítica: Passion (2012)



FICHA TÉCNICA

Título Nacional: Passion
País Origem: Alemanha / França
Realizador: Brian De Palma
Género: Drama / Thriller
Duração: 100 minutos








Lisbon & Estoril Film Festival
Selecção Oficial - Fora de Competição   


Passion conta a história de uma luta cruel pelo poder entre duas executivas. Christine (Rachel McAdams) é elegante, confiante e ambiciosa. Isabelle James (Noomi Rapace), tímida mas brilhante, começa a ver algumas das suas ideias roubadas. É então que Christine entra num jogo perverso, humilhando e dominando Isabelle, e quando esta se envolve com um dos amantes da colega de trabalho, a guerra é declarada entre as duas.


Cinco anos depois daquele que tinha sido o seu último filme, Censurado "Redacted" (2007), Brian De Palma está de regresso à cadeira de realizador com o thriller Passion. Neste que é um remake de Crime d'amour (2010), do francês Alain Corneau, Brian De Palma visita as rivalidades no mundo corporativo de uma grande empresa. Neste sentido toda a narrativa gira em torno de Rachel McAdams e Noomi Rapace, que são antagonistas numa agência internacional de publicidade. Este relacionamento complexo e tórrido entre estas duas mulheres, foi o ponto de partida para que Brian De Palma pegasse no guião e o reescrevesse, procurando deste modo dar ao seu filme um rumo diferente e afastar-se do que tinha sido feito por Alain Corneau. Para isso desenvolveu uma história mais obscura e misteriosa, e apostou numa narrativa rica em estratagemas e reviravoltas para o desenlace da história, sendo impossível de o descortinar, a não ser no seu final.

O elenco feminino é um dos pontos fortes do filme, pois tanto Rachel McAdams e Noomi Rapace estão muito bem e tem aqui interpretações de excelência, sendo evidente a cumplicidade entre ambas. Não esquecendo também a excelente interpretação de Karoline Herfurth, no papel da ruiva doce e enigmática Dani. O mesmo já não se pode dizer do elenco masculino, que deixa muito a desejar e que em nada contribui para o bom desenrolar da narrativa. Brian De Palma e como já é seu hábito, deixa a sua assinatura bem vincada neste filme, pois volta a usar e abusar de referências que já lhe são conhecidas em outras obras, como o recurso a personagens com dupla identidade, o uso de máscaras, sequências de cenas que repetem planos de outros filmes ou o estilo bem presente de Hitchcock, tanto do ponto de vista de realização, muito visual, como a utilização de referências musicais para produzir o efeito desejado no espectador. Este último aspecto resulta bem ao longo de toda a narrativa, pois consegue acompanhar com mestria todos os momentos de tensão e de expectativa.


Passion não tem sido aclamado pela crítica internacional, e Brian De Palma tem sido muito criticado pelas escolhas e pelo rumo que decidiu seguir com este filme, mas talvez isto não se deva tanto à qualidade deste, mas sim, ao facto do aclamado realizador ter estado muito tempo afastado das grandes produções e as expectativas de um seu regresso serem grandes, e terem sido por isso, postas num patamar inalcançável!. Mas este não é de todo um mau filme e para quem goste do género de filmes que envolvam reviravoltas e com finais imprevisíveis, Passion é uma boa opção e como thriller não deixa nada a desejar.


O Melhor - A cumplicidade entre Rachel McAdams e Noomi Rapace.

O Pior - Brian De Palma ter escolhido para o seu "comeback" um remake de um filme que tem apenas dois anos de existência.


Nota: 7/10

Crítica por Paulo Saraiva

1 comentário:

  1. Foi a melhor critica que li do filme! Vou acompanhar o blog...

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